Num primeiro Antes, estava com dúvidas, queixava-me que a vida estava a ser monótona, debatia-me no interior de querer mais e não conseguir... Sentia-me numa realidade que não era bem a minha, dona de uma outra personalidade, confusa, com medo de cortar amarras e voar... Naquele dia no barco, em que tirei as fotos à gavoita no rio (nunca chegaram a aparecer, como se tivessem passado para outra dimensão), pensei “Depois da tempestade vem a bonança”... Mas não veio: poucos minutos depois, a vida esmurrou-me na cara com toda a intensidade e eu, na altura, nem me apercebi, fiquei só aliviada de ter conseguido ir em frente, mesmo noutra forma.
Num dos outros Antes, estava completamente de rastos, numa agonia que durava havia alguns anos, cronicamente amodorrada, interrogando-me onde iria parar, o que iria acontecer, se o funeral adiado se iria, finalmente, concretizar... Com a morte na alma, vestida de um luto antecipado de alguém que sabe que tem uma morte anunciada, mas não sabe bem quantos meses vai durar...
Nesse Depois, os raios de luz infiltraram-se, vieram-me visitar e esqueci o resto do mundo, a esperança instalou-se, feita louca... A vida, com toda a sua força, seduziu-me e fez-me resplandecer, radiante, corada, expectante... O mundo deu várias reviravoltas que não estava à espera e eu gostei de ir arrastada na espiral dos instantes.
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