E veio outro Depois, que se tem arrastado, onde viajo na montanha russa, em que as descidas são muito mais baixas que a maior das subidas! Esta viagem a descer está a demorar e a custar muito, não sei para onde vai o meu eu, de vez em quando... Ausenta-se de mim, abandona-me, trai-me a todo o instante!
Que estranha é esta que se instala e se acomoda, perdida toda a vontade de fazer alguma coisa? Para onde vou eu, de vez em quando? Qual o papel das pessoas que se cruzam na minha vida? Antes... Parece sempre o silêncio que se instala na Natureza, antes do nascer do sol... Quando os pássaros estão sossegados e mudos, as árvores não se mexem e parece que todo o Universo faz, em paz, uma vénia régia ao Sol... Como aquela pausa do anúncio do Kit-Kat, em que tudo congela. Depois... É a trovoada sem piedade, os relâmpagos que rasgam o céu, com toda a fúria da Natureza, em que parece que nada pior pode, já, acontecer... Mas vem uma descida mais íngreme, pior que a anterior, numa onda gigante que destrói ainda mais... Entre os Antes e os Depois, vive-se a vida de todos os dias, na rotina dos minutos, com a camada dos anos a adensar-se, cada vez mais rápida e voraz... Momentos mágicos e fugazes, como fotões, aparecem e fazem uma visitinha rápida... Reconheço já os sinais e vem aí um Antes... Que trará, desta vez, o Depois?
Seguidores
terça-feira, 7 de abril de 2009
Alguns Antes e Depois...
Num primeiro Antes, estava com dúvidas, queixava-me que a vida estava a ser monótona, debatia-me no interior de querer mais e não conseguir... Sentia-me numa realidade que não era bem a minha, dona de uma outra personalidade, confusa, com medo de cortar amarras e voar... Naquele dia no barco, em que tirei as fotos à gavoita no rio (nunca chegaram a aparecer, como se tivessem passado para outra dimensão), pensei “Depois da tempestade vem a bonança”... Mas não veio: poucos minutos depois, a vida esmurrou-me na cara com toda a intensidade e eu, na altura, nem me apercebi, fiquei só aliviada de ter conseguido ir em frente, mesmo noutra forma.
Num dos outros Antes, estava completamente de rastos, numa agonia que durava havia alguns anos, cronicamente amodorrada, interrogando-me onde iria parar, o que iria acontecer, se o funeral adiado se iria, finalmente, concretizar... Com a morte na alma, vestida de um luto antecipado de alguém que sabe que tem uma morte anunciada, mas não sabe bem quantos meses vai durar...
Nesse Depois, os raios de luz infiltraram-se, vieram-me visitar e esqueci o resto do mundo, a esperança instalou-se, feita louca... A vida, com toda a sua força, seduziu-me e fez-me resplandecer, radiante, corada, expectante... O mundo deu várias reviravoltas que não estava à espera e eu gostei de ir arrastada na espiral dos instantes.
Etiquetas:
Instantes significativos
Subscrever:
Mensagens (Atom)